domingo, 26 de abril de 2009

Esqueça-me as coisas todas.


Eu lembro, e justamente por isso, me humanizo na medida que sofro. Hoje, 26 de abril de 2009, ano do nosso senhor, me pergunto qual o limite para o direito de escolha. Parece confuso, afinal, ninguém acredita, ou quer acreditar, que o sofrimento é fruto de uma escolha. Eu começo a acreditar que é. Em uma das minhas tentativas desesperadas de cansaço induzido, li uma grafic novel muito famosa; Batman e a "Piada Mortal". Enredo interessante, trama justinha, um Batman 1/24 ávos gay... e uma questão interessante. Em um momento, o Coringa afirma o seguinte, falando sobre a memória: "...mas podemos viver sem elas? a razão se sustenta nelas, negar as memórias e o mesmo que negar a razão". Interessante. Segundo o Coringa, qualquer homem, desde que exposto à intensa dor, escolhe a loucura para aliviá-la, através do esquecimento. Parece um contra-senso. Devemos sofrer, e lembrar do que dói, para nos tornar mais humanos? E se sofrer for mesmo recordar, e se recordar for mesmo próprio da razão, então nosso parâmetro de realidade se baseia na dor. Simples assim. Se não doi, se não machuca, então é sonho, e sonhos só são sonhos porque não podem, e nem devem, ser reais. Onde, então, entra o direito de escolha? Bem... algumas pessoas escolhem a loucura. Evidente que só a minoria chega à niveis altamente nocivos, pelo menos aparentes, mas uma grande parte dos sofredores bloqueia lembranças, cria mundos de fantasia para refúgio, ou simplesmente se negam a crer no fato. Digo fato porque verdade é um conceito muito relativo. Domingo, 3 da madrugada, acabei de assistir "Brilho eterno de uma mente sem lembranças". Eu sei que o filme trata das "dores do amor", e que a questão é muito mais densa que isso, mas de certa forma, a trama passa sobre um aspecto interessante do ato de sofrer. Não vou contar o filme, recomendo muito, assistam, mas para o que eu quero dizer, basta que saibam que depois de uma desilusão amorosa, o Jim Carrey resolve "apagar" a Kate Winslet da memória. No meio do caminho ele se arrepende (eu também me arrependeria) e começa desesperadamente a lutar contra o esquecimento. Ele corre de mãos dadas com ela por entre lembranças que vão dissolvendo. É uma figura bonita, mas prefiro falar do significado. Em alguns casos você quer lembrar, mesmo sabendo que dói. Porque? Não sei, isso talvez ninguem saiba, apenas sinta que deve ser assim. É como os antigos bábaros que se orgulhavam de suas cicatrizes de batalha. Talvez lembrar seja o mesmo que dizer "eu venci, podia ter perdido, mas venci". Pela força de vontade, rijeza de espirito ou pura sorte, você venceu. Venceu? Talvez a dor tenha fugido e se escondido em algum lugar escuro da memória, só esperando o momento certo de voltar e atacar. Nesse caso, você lembra porque institivamente sabe que tem que ficar alerta. Sofrer pelo passado torna presente uma monumental perda de tempo. Acabou, passou, não tem mais sentido... o barco navega até a água corroer a madeira, e tudo afunda no oceano do esquecimento. Mas se você sofreu, e chorou, uma lágrima afunda junto com você.

10 despautérios:

Sóda Games disse...

Parabéns pelo seu blog fera, ficou show de bola de verdade !!!
Abraço e muito sucesso

Otimização de recursos e serviços.
http://menosbits.blogspot.com/
O jeito inteligente de se usar a internet.

INDICOESSE disse...

Já tinha conhecido o seu blog!
Bem textual, bacana!
Eu acho que o sofrimento antecipado é resultado de uma angústia por ter que escolher. Tinha lido um pouco das idéias de Schopenhauer antes de vir aqui!

Sucesso!

INDICOESSE disse...

Não conhecia a história do Coringa!

Tania Saad disse...

Pra mim, o mais bacana do filme "Brilho Eterno de uma mente sem Lembranças" é que ele começa a se arrepender quando passa a entender que tudo vivido, valeu a pena. Por mais que as lembranças, agora, sejam ruins, um dia já foram o melhor da vida dos dois.
Lembrar é necessário, são nossas lembranças, nosso passado, que nos torna o que somos hoje.
Adorei o texto Paulo!
Bjoss

INDICOESSE disse...

Obrigaado, seu blog é muito bom também, transcendental,rsss
Vou ver a historinha sim!
Inclusive tb gosto de uma em especial do "The Cure", acho que é a principal deles, naão sei bem...

Viu, vou seguir seu blog tb!
Fica com Deus!

Hique disse...

Nãããããooooooo

infelizmente estamos envenenados pela má compreensão do sofrer...

sofrer é inevitável, mas sofre aquele que esperava que não houvesse desafio.

sofrer é ter a esperança do conforto frustrada.

Vinny disse...

muito bom o seu blog,gostei do jeito que você escreve...estarei sempre por aqui....sucesso

e se puder
O estagio da arte independente
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http://artstag.blogspot.com/
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Eliz disse...

Peso que a própria vida é um conceito de lembrança.
Bacana o texto!
Beijos. =)

INDICOESSE disse...

Boa semana!

INDICOESSE disse...

E bom feriado!